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Raças·20 de fevereiro de 2025·7 min

Ovinocultura de corte no Brasil: raças, cruzamentos e o papel do confinamento na produção de cordeiro

Com o mercado em expansão, a escolha da raça e o sistema de terminação definem o resultado econômico. Estudo da Embrapa compara desempenho de diferentes genéticas.

A ovinocultura de corte em expansão

A cadeia produtiva da ovinocultura de corte está em plena expansão no Brasil. Novos arranjos produtivos surgem em regiões tradicionais — como o Nordeste — e a atividade ganha expressão comercial crescente no Sudeste, Centro-Oeste e Sul. O mercado brasileiro demanda carne ovina em quantidade e qualidade, e a produção ainda não atende à demanda interna, gerando oportunidades para quem profissionaliza a criação.

O cordeiro, em particular, é o produto com maior valor agregado e demanda crescente, especialmente em restaurantes, redes de supermercados e venda direta ao consumidor.

As principais raças para corte

Nenhuma raça reúne sozinha todas as características desejáveis. Por isso, o cruzamento estratégico é a ferramenta mais poderosa do ovinocultor. As raças mais utilizadas no Brasil para produção de carne:

  • Santa Inês: raça deslanada brasileira, adaptada ao clima tropical, boa habilidade materna, prolífica e resistente a parasitas. É a base genética mais utilizada no Nordeste, Norte e Centro-Oeste
  • Dorper e White Dorper: originárias da África do Sul, são raças de corte por excelência — precoces, com excelente conformação de carcaça e boa adaptação ao semiárido
  • Ile de France: raça francesa com alto potencial de ganho de peso e qualidade de carcaça, muito utilizada em cruzamentos no Sudeste e Sul
  • Texel: raça holandesa com ótimo rendimento de carcaça e musculatura, usada como raça terminal em cruzamentos
  • Suffolk e Hampshire Down: raças inglesas com bom ganho de peso, utilizadas como reprodutores terminais

O que a Embrapa descobriu sobre desempenho econômico

Um estudo conduzido pela Embrapa Pecuária Sudeste em São Carlos (SP) avaliou o desempenho econômico de aproximadamente 170 cordeiros machos de diferentes raças e cruzamentos em confinamento, com dieta de 60% silagem de milho e 40% concentrado.

Os resultados em ordem de desempenho econômico:

  • Ile de France: melhor resultado — alto ganho de peso com boa conversão alimentar
  • White Dorper: segundo lugar — precocidade e eficiência na terminação
  • Santa Inês: terceiro — menor custo de criação, boa adaptação
  • Cruzamento Ile de France x Santa Inês: resultado intermediário — combina adaptação com qualidade de carcaça

O achado mais importante do estudo: "O custo do cordeiro à desmama é a variável que mais impacta o resultado econômico." Todos os grupos com melhor desempenho apresentaram baixo custo nessa fase.

O papel do confinamento

O confinamento de cordeiros é uma estratégia que ganha força no Brasil por várias razões:

  • Redução do tempo de terminação: cordeiros atingem peso de abate (35 a 40 kg) mais rápido
  • Padronização de carcaça: uniformidade exigida pelo mercado consumidor e frigoríficos
  • Controle sanitário: menor exposição a parasitas gastrointestinais — o maior gargalo sanitário da ovinocultura
  • Produção durante o ano todo: independência de estacionalidade de pastagens
  • Melhor conversão alimentar: animais jovens convertem alimento em carne com maior eficiência

A meta ideal é o desmame aos 60-90 dias e a terminação até os 38-42 kg de peso vivo, quando o rendimento de carcaça e a relação custo-benefício são otimizados.

Cruzamento: a estratégia que potencializa resultados

A prática mais eficiente é usar ovelhas adaptadas (Santa Inês ou mestiças deslanadas) como base materna e reprodutores de raças de corte (Dorper, Ile de France, Texel) como raça terminal:

  • Vigor híbrido: cordeiros cruzados têm melhor desempenho que os puros em ganho de peso e conversão
  • Habilidade materna: ovelhas Santa Inês são boas mães, prolíficas e resistentes
  • Qualidade de carcaça: raças terminais agregam musculatura, cobertura de gordura e rendimento
  • Adaptação ao clima: a base materna adaptada garante rusticidade ao sistema

Como um sistema de gestão organiza a ovinocultura de corte

Gerenciar raças, cruzamentos e terminação de cordeiros exige dados individuais e rastreabilidade completa. Um sistema de gestão pecuária permite:

  • Registro genealógico: controle ascendência, raça do pai e da mãe, e tipo de cruzamento de cada cordeiro
  • Desempenho por genética: compare ganho de peso, conversão alimentar e rendimento de carcaça entre grupos genéticos
  • Controle de custos à desmama: registre custos de alimentação, sanidade e mão de obra por cordeiro desde o nascimento
  • Monitoramento sanitário: acompanhe vermifugações, OPG (ovos por grama de fezes) e ocorrências por animal
  • Indicadores reprodutivos: taxa de parição, prolificidade, intervalo entre partos e desempenho por reprodutor
  • Projeção de abate: estime a data ideal de saída com base no peso atual e ganho médio diário

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